História de Portugal as mudanças mais estruturais:
1. De Condado a Reino Independente (1143)
A primeira grande mudança foi a transição da dependência de Leão e Castela para a soberania plena.
A Rutura: A vitória de D. Afonso Henriques sobre a sua mãe em São Mamede (1128) e o posterior reconhecimento diplomático no Tratado de Zamora (1143).
Consequência: A criação de uma identidade política própria no "fim do mundo" europeu, que se expandiria para sul até à conquista do Algarve em 1249.
2. A Revolução de Avis e a Hora Atlântica (1383–1385)
Esta crise marcou o fim da influência senhorial clássica e a ascensão da burguesia e do poder central.
A Rutura: A queda da Dinastia de Borgonha e a eleição do Mestre de Avis nas Cortes de Coimbra, confirmada pela vitória em Aljubarrota.
Consequência: Portugal deixou de ser um reino puramente agrícola e peninsular para se tornar uma nação marítima, iniciando a expansão para Ceuta (1415) e a construção do primeiro império global.
3. A União Ibérica e a Restauração (1580–1640)
Portugal viveu 60 anos sob o domínio dos Habsburgos, o que mudou a sua posição geopolítica.
A Rutura: O desaparecimento de D. Sebastião e a subida ao trono de Filipe II de Espanha.
A Restauração: O golpe de 1 de dezembro de 1640 que devolveu a independência ao país com a Dinastia de Bragança.
Consequência: O bilinguismo luso-espanhol terminou e Portugal virou-se definitivamente para a aliança com a Inglaterra e o desenvolvimento intensivo do Brasil.
4. O Terramoto e o Despotismo Esclarecido (1755)
A catástrofe natural serviu de pretexto para uma revolução administrativa e social.
A Rutura: O Terramoto de Lisboa de 1755.
Consequência: Sob o comando do Marquês de Pombal, Portugal tentou modernizar-se através da razão. Expulsou os Jesuítas, reformou a Universidade de Coimbra, aboliu a distinção entre cristãos-novos e velhos e lançou as bases da indústria moderna.
5. A Implantação do Liberalismo (1820–1834)
A passagem da monarquia absoluta para a constitucional foi o processo mais violento do século XIX.
A Rutura: A Revolução Liberal do Porto (1820) e a posterior Guerra Civil entre liberais (D. Pedro) e absolutistas (D. Miguel).
Consequência: A extinção das ordens religiosas, a perda do Brasil e a subida ao poder da burguesia, que focou o país nos "melhoramentos materiais" (comboios e estradas).
6. A Queda da Monarquia e as Três Repúblicas (1910–Hoje)
O século XX trouxe a mudança de regime definitiva.
1910: Implantação da República, pondo fim a 800 anos de monarquia.
1926–1933: O fim do parlamentarismo instável e a criação do Estado Novo, um regime autoritário e corporativo que isolou Portugal do mundo democrático.
1974: A Revolução dos Cravos. Esta foi talvez a mudança mais rápida: em poucos anos, Portugal passou de uma ditadura colonial para uma democracia europeia.
7. A Integração Europeia (1986)
A entrada na CEE marcou o fim do ciclo imperial e o início do ciclo europeu.
A Rutura: O abandono da tese do "Portugal do Minho a Timor" em favor do projeto comunitário.
Consequência: Modernização acelerada das infraestruturas e uma alteração profunda nos hábitos de consumo e na mobilidade dos portugueses.
As Grandes Ruturas Estruturais
1. Fundação e Soberania (1143)
A transição de um condado vassalo para um Reino Independente. A rutura com Leão e Castela permitiu a criação de uma administração própria e a expansão territorial definitiva até ao Algarve.
2. A Revolução de Avis: A Hora Atlântica (1383–1385)
Uma mudança de paradigma: o fim do feudalismo agrário clássico. A ascensão da burguesia mercantil e o foco no mar. Portugal lança as bases do primeiro império global com a tomada de Ceuta (1415).
3. Restauração e Geopolítica (1640)
Após 60 anos de União Ibérica, a Restauração de 1640 não foi apenas política; foi diplomática. Portugal abandonou o bilinguismo e o eixo castelhano, focando-se na Aliança Inglesa e na exploração do ouro do Brasil.
4. Pombalismo e Despotismo Esclarecido (1755)
O Terramoto de Lisboa permitiu a Marquês de Pombal aplicar o Iluminismo. Estruturalmente, isto significou o fim do poder absoluto da Igreja (Jesuítas) e o nascimento da burguesia industrial moderna.
5. Liberalismo e Perda do Brasil (1820–1834)
A rutura mais violenta do século XIX. A passagem da monarquia absoluta para a Monarquia Constitucional. A extinção das ordens religiosas e a perda da colónia brasileira forçaram o país a investir em ferrovias e infraestruturas internas (Regeneração).
6. Do Estado Novo à Democracia (1974)
A mudança estrutural mais rápida. Em poucos anos, Portugal desmantelou um regime autoritário de 48 anos e o seu vasto império colonial, convertendo-se numa democracia parlamentar moderna.
7. O Ciclo Europeu (1986)
O fim do "Portugal do Minho a Timor". A adesão à CEE (União Europeia) alterou definitivamente a economia, os hábitos de consumo e a mobilidade social, selando o destino europeu da nação.

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